a estrela gritou rosa
no coração das suas orelhas
o infinito rolou branco do
seu pescoço atè aos seus
lombos o mar frisou vermelho
para os seus seios rosados e o
Homem sagrou preto para os seus seios
rosados
a estrela gritou rosa
no coração das suas orelhas
o infinito rolou branco do
seu pescoço atè aos seus
lombos o mar frisou vermelho
para os seus seios rosados e o
Homem sagrou preto para os seus seios
rosados
Ò mar salgado quanto do teu sal
são lágrimas de Portugal !
por te cruzarmos quantas mães
choraram quantos filhos em vão rezaram ?
quantas noivas ficaram por casar
para que fosses nosso ò mar !
valeu a pena ?
tudo vale a pena se a alma
não è pequena
quem quer passar além do Bojador
tem que passar além da dor !
Deus ao mar deu perigo e o abismo
mas nele è que espalhou o céu !
perca o seu azul negro e brando mas que
espada è erguida faz com o ar alto perca
o seu halo no céu e excàlibur a ungida
que o rei Artur deu - te esperança consumada
Portugal em ser ergue a luz da tua espada
para se ver a estrada !
Deus quis que a terra fosse
uma que o mar unisse
jamais se separasse
sagrou - se e foste desvendada
espuma e a orla branca foi de
ilha em continente
clareou correndo atè ao fim do mundo
e viu - se a terra de repente surgir redonda
do azul profundo que te sagrou e criou - te
Portuguesa do mar e nòs em ti nos deu sinal
cumpriu - se o mar e o império se desfez
senhor !
falta cumprir - se Portugal !
o mais belo poema não o escrevi
nunca
esculpi - o no tremor vagaroso
do teu corpo embriagado nas
palavras por dizer
o nosso olhar fixo e mudo
quantos momentos vãos
para além de nòs viveu
nem nosso teu ou meu
havido mais que sombra
sem volto ou cor e dos
passos o coro e o ruído
ò noite ò luar ò brisa
incerta
não me deis mais que eu
ser sò me fiquei a janela
aberta da vida e a sinto
sem saber
subtil sem razão suave da vida estagna
como um largo na sensação e a alma
esquece ao fim dos parques da emoção
brisa que estremece as águas dessa solidão
nesta hora como se entre-tecendo de uma moeda
em mão com sono que vão compondo e desfazendo
em afago desse abandono com sensações de mãos
que as tece adorna a alma e o gesto com que teço
esquece e o fundo da alma não tem calma
soa a hora o meu peito magoado
relembra o passado e chora
daqui dali pelo vento
em atropelo seguido
vou de porta em porta
como a folha morta
batido ...
a estrela chorou rosa a estrela gritou rosa no coração das suas orelhas o infinito rolou branco do seu pescoço atè aos seus lombos o mar fri...